Cara, “Identidade” (2003) é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores filmes de thriller e suspense do começo dos anos 2000. É um filme maravilhoso e que me chamou atenção inicialmente por conta da atuação do John Cusack, e eu gosto muito dos filmes do John Cusack quando envolve filmes de suspense. Inclusive, quem gostou da atuação dele em 1408 (2007), com certeza vai adorar a atuação que ele teve aqui em Identidade.
E já falo logo: a atuação do John Cusack é impressionante. Ele é um dos caras que leva esse filme nas costas, mas a atuação do Ray Liotta também é muito boa como coadjuvante. É um elenco que funciona muito bem dentro da proposta do filme e consegue transmitir toda aquela tensão e paranoia que a história exige.
Algo que poderia resumir extremamente bem Identidade, dirigido pelo James Mangold, é que esse filme é qualquer coisa menos óbvio. Ele já começa frenético, com acontecimentos que são espetaculares, que são sensacionais e que realmente prendem o espectador dentro dessa história.
Conforme o enredo vai se desenvolvendo, temos aquelas pessoas reunidas em um motel de beira de estrada, isoladas por conta de uma tempestade. A chuva e a estrada bloqueada têm um efeito muito interessante porque passam justamente essa sensação de clausura, aquela sensação de que os personagens realmente não conseguem pedir nenhuma ajuda ou nenhum socorro. E isso facilita muito a criação da tensão.

E existe também uma espécie de homenagem a Psicose, justamente pela escolha de colocar toda essa história em um motel de beira de estrada. Só que Identidade utiliza esse cenário para construir uma narrativa completamente diferente, misturando o suspense, o thriller e elementos que vão se revelando aos poucos.
De alguma maneira, existe uma correlação, uma ligação, uma conexão entre os personagens, e aí, um a um, eles vão morrendo dentro daquele motel. E o que prende o espectador é justamente saber quem está fazendo aquilo e por que está fazendo. Mas, acima de tudo: quem?
E aí você passa o filme inteiro tentando acertar. Você começa a pensar: “Não, com certeza o assassino ou a assassina é esse daqui”, ou “é essa daqui”. O filme oferece pistas suficientes para você tentar solucionar o mistério, mas ao mesmo tempo manipula essas pistas para fazer você desconfiar constantemente das pessoas erradas.
E isso é uma das grandes qualidades do roteiro de Michael Cooney, porque Identidade sabe brincar muito bem com as expectativas do espectador. Ele entrega informações, cria suspeitas, muda as possibilidades e faz você acreditar que finalmente conseguiu descobrir o que está acontecendo, quando, na verdade, ainda existe muita coisa para ser revelada.

E o final, evidentemente, não vou dar spoiler, mas é justamente quando o filme demonstra que não pretende cair dentro da obviedade do gênero. É um desfecho totalmente inesperado e que consegue recontextualizar tudo aquilo que aconteceu anteriormente. As peças começam a se encaixar e aquilo que você estava acompanhando durante todo o filme ganha outro significado.
O filme também sabe trabalhar muito bem as mortes. Temos aqui um excelente trabalho de maquiagem e de efeitos práticos, e tudo funciona muito bem dentro de um espaço relativamente pequeno. Afinal, praticamente toda a história acontece naquele motel, mas James Mangold consegue explorar muito bem aquele ambiente e transformar o espaço limitado em uma ferramenta para aumentar a tensão.
E Identidade me lembra bastante Clue, principalmente pela ideia de colocar diferentes personagens em um mesmo ambiente e fazer o espectador tentar descobrir quem está por trás dos acontecimentos. Também me lembra Temos Vagas, embora este tenha uma abordagem muito mais próxima do slasher e tenha sido lançado posteriormente. Se você gostou de Temos Vagas, provavelmente vai gostar muito de Identidade.
Identidade (2003) é um filme que envelheceu muito bem e que continua funcionando justamente porque não entrega tudo mastigado para o espectador. Ele quer que você participe da investigação, que desconfie dos personagens, que tente montar o quebra-cabeça e, depois, quando chega ao desfecho, perceba que talvez estivesse olhando para a história de uma maneira completamente diferente.
É um filme maravilhoso, com uma atuação impressionante do John Cusack, uma ótima participação do Ray Liotta, uma direção muito competente do James Mangold, um roteiro muito bem construído e uma atmosfera de suspense que funciona extremamente bem.
Se você gosta de thriller, suspense, mistério e filmes que conseguem surpreender no final, Identidade é praticamente obrigatório. Um dos melhores filmes de suspense do começo dos anos 2000 e uma grata surpresa que continua funcionando muito bem mais de vinte anos depois.

