Obsessão (2025) de Curry Barker, é um frescor para o gênero de terror, que de uns anos para cá tem tido uma reviravolta bem esperançosa para o gênero, que até não muito tempo atrás, era carente de boas ideias e criatividade, mas tem mudado com filmes tais como “A Hora do Mal”, “Pecadores”, Faça ela voltar”, agora com “Obsessão” e entre outros que posso não ter lembrado agora.
Sinopse: O desejo de um homem para que uma bela mulher se apaixone por ele traz consequências terríveis quando ela começa a exibir um comportamento cada vez mais perturbador e obsessivo.
Curry Barker, dirige um filme que tem um pequeno toque de originalidade, mas que de certa forma, não necessariamente traz algo que nunca fora abordado. Parando para analisar, creio que o filme que mais pareça com as intenções do diretor tenha sido “Misery: Louca Obsessão” (1990), uma adaptação para as telonas de Rob Reiner para o famoso livro de Stephen King. No entanto, ainda assim são obras que seguem caminhos bem distintos, apesar de terem algumas características parecidas: uma “vilã” que se torna obscecada pelo protagonista, a utilização da violência como controle, o “amor” excessivo que se torna uma relação tóxica e agressiva culminando num final trágico.
Ainda assim, Barker com “Obsessão” tem sua originalidade, ao não se utilizar da casa como o único local de filmagem, fazendo-a de um ambiente de clausura, apesar de transformar a casa do casal, como um ambiente de total desconforto para o protagonista, mas ainda assim, se utiliza de outros locais para gerar o terror e o desconforto.
Falando de terror, gosto de como “Obsessão” não segue uma máxima dos filmes atuais, de querer fazer uso do jumpscares para assustar o tempo todo com situações previsíveis e bem batidas. Aqui em “Obsessão” existe uma tensão gerada através do desconforto causado pela relação tóxica e agressiva de Nikki para com Bear. O uso de sombras, da trilha e um texto bem construído para construir um clima de obscuridade e incômodo. De fato o texto me surpreende em alguns momentos, porque ele é extremamente rico, tanto que me parece ter saído de um excelente livro de terror.
Obsessão também possui uma trilha sonora que achei maravilhosa, uma das melhores dos últimos anos do gênero, que por alguma razão, talvez pela sensação de loucura, desespero, sombriedade e melancolia, tenha me lembrado muito Silent Hill.

Já sobre a ideia e proposta do filme, acho muito interessante e bem atual! Porque justamente aborda algo que é muito real e comum em nossa sociedade: relações amorosas agressivas. Como sabemos, o feminicídio é algo muito comum não somente no Brasil, mas no mundo todo. Ao inverter esse papel de controle, domínio e violência para a mulher, torna por si só a proposta bem interessante, porém, a pitada com o sobrenatural também é algo que acho bem válida e certeira, neste caso, o sobrenatural é usado em torno de um objeto, o “salgueiro dos desejos”, que irá tornar real qualquer coisa que você desejar. A partir desse desejo, o filme vira de cabeça pra baixo e mantém o espectador vidrado na tela até o fim da obra.
Sobre atuações, não vejo nenhuma atuação ruim, e evidentemente os destaques vão para Inde Navarrette como Nikki, por sua bela atuação que inicia bem comum, como uma jovem qualquer curtindo a vida com seus amigos, mas que vira simplesmente o diabo encarnado, atormentando a vida de Bear, que seguramente nunca queria ter desejado o que desejou. A atuação de Inde Navarrette após o desejo, demonstra uma mulher paranoica, agressiva e ameaçadora. As expressões faciais da atriz são simplesmente espetaculares e dão vida a personagem e convencimento ao público. Isso sem contar em cenas de gritos e risadas que são assustadoras e que gera um incômodo e imersão que é absurda.
Já Michael Johnston como Bear, interpreta muito bem e com competência alguém que está tendo sua vida destruída por alguém que ele tanto desejara.
Gosto de como Curry Barker faz algumas referências em sua obra, uma com bastante evidência é uma cena (não darei spoiler) que homenageia o filme “O Exorcista” de William Friedkin. Também vejo como muito acertado o uso das sombras para criar uma sensação ou ilusão ao espectador de possessão demoníaca a personagem Nikki. As cenas nas sombras realmente criam medo e ansiedade em quem assiste, porque sempre ficamos nos perguntando o que irá ocorrer.
Falando de cena, tem uma cena do carro, que é simplesmente uma das melhores dos últimos anos do gênero, que além de ter um jumpscare absurdo, tem uma sequência violenta que impressiona qualquer pessoa, pela qual também podemos analisar o belíssimo trabalho de maquiagem do longa.
Já o uso do humor em alguns momentos, acho algo um tanto quanto discutível, pois não as acho tão engraçadas, mas o uso do humor felizmente não é algo tão excessivo, o que faz com que isso não me incomode ou que de alguma maneira prejudique a obra do diretor.
Enfim, “Obsessão” (2025) tem uma excelente ambientação, cenas marcantes, uma excelente trilha e efeitos sonoros, criatividade e boas ideias, além de boas atuações e uma direção excelente. Com certeza será um dos melhores filmes de terror do ano, se não for justamente o melhor. Não imaginei que seria tão bom e recomendo demais que você assista.
Por causa desse filme, fico bastante empolgado em saber que o diretor Curry Barker será o responsável pela direção do próximo filme de “O Massacre da Serra Elétrica”, pois podemos esperar grandes coisas desse diretor.

Assista o trailer oficial de Obsessão:
