A Tortura do Silêncio (1953), um thriller dirigido pelo mestre do suspense, Alfred Hitchcock, no qual utiliza um ato confessional como fonte de sua trama. Esse filme é baseado na peça de teatro Nos Deux Consciences (Nossas Duas Consciências) de Paul Anthelme, e tem as atuações de Montgomery Clift e Anne Baxter.
Nessa obra, um sacristão chamado Otto Keller (O.E.Hasse), mata um advogado chantagista que tinha informações embaraçosas do passado do padre Logan (interpretado por Montgomery Clift), quando este teve um relacionamento amoroso com uma mulher casada, Ruth Grandforth (Anne Baxter), e confessa esse crime justamente para o padre num confessionário da igreja.
É a partir desse momento que o filme desenvolve sua trama de suspense que prende o espectador, pois por um lado o padre se vê num beco sem saída, porque em parte ele não pode dizer nada para as autoridades sobre o que ele sabe deste assassinato, pois o mesmo está sobre o sacramento da confissão, que é um ato de sigilo inviolável, e por outro lado, está numa situação complicada, sendo ele também um suspeito, pois o assassino foi descrito usando uma batina.
Sinopse: O padre católico Logan tem sua fé testada quando ele é erroneamente acusado de matar um membro da paróquia. O real assassino é o imigrante alemão Otto, que confessou o crime a ele. Mas, como padre, ele não pode revelar o que ouviu no confessionário.


Acho interessante neste filme, mas nas próprias propostas de Hitchcock, o uso de terceiros (neste caso o assassino sacristão) que irão beneficiar os protagonistas de seus filmes. No entanto, esses beneficiados não podem ser vistos como isentos de culpa, porque sempre o autor do crime acaba sendo meio que um espelho dos verdadeiros desejos reprimidos do(s) protagonista(s). O que estou apresentando é que: Logan teria facilmente matado ou desejado a morte do chantagista, é para quem é católico, e neste caso dele, um padre, somente o ato de pensar ou idealizar isso já se torna um pecado.
Gosto da ideia de Hitchcock ao usar o ato de confissão como fio do suspense, porque se pararmos para analisar, a confissão permeia não somente o padre e o assassino, mas também o assassino que confessa o crime a sua esposa, a esposa que se vê como sabedora da autoria do crime do seu marido, que faz com que possivelmente um homem inocente seja preso, e também Ruth (Anne Baxter) que precisa confessar sua antiga e ainda atual paixão pelo padre. Ou seja, a confissão permeia o filme o tempo inteiro.
Entretanto, o filme não guarda uma grande reviravolta, algo também muito comum nos filmes de Hitchcock, de certa maneira, essa obra detém uma história pela qual já sabemos como irá se desenrolar, tornando-a previsível. Por isso, não considero uma obra-prima do diretor, assim como, ele também não a considerava e não teve tanto sucesso. O final abrupto desse filme também de certa maneira me incomoda (sei que isso ocorre em outras obras do diretor, mas aqui de alguma maneira me incomoda).
Contudo, gosto das atuações, principalmente de Montgomerry Clift, assim como, gosto da trilha sonora de Dimitri Tiomkin, inspirada nos cantos gregorianos de Dies Irae.
Para quem é fã do diretor, como sou, creio que vale a pena você conferir este trabalho de Hitchcock, que se sustenta mais por alguns aspectos da sua trama e suas atuações.

