Assisti ontem (05/06/2026) a “Backrooms – Um Não Lugar”, dirigido por Kane Parsons e distribuído pela A24. Fico bastante feliz que o filme esteja batendo recordes de bilheteria e tendo um retorno tão positivo do público. A sessão que peguei, inclusive, estava praticamente lotada. Mas, sendo bastante sincero, foi um filme com o qual eu simplesmente não consegui me conectar em nenhum momento.
Vale lembrar que Backrooms é baseado na famosa creepypasta e nos vídeos que se tornaram virais na internet, um tipo de conteúdo que acabou conquistando principalmente muitos adolescentes e que talvez seja justamente o público-alvo desta adaptação. Para ser sincero, não estou familiarizado com esse universo. Nunca acompanhei esse tipo de conteúdo e, por isso, pouco posso falar sobre a adaptação em relação ao material original.
O que posso falar é sobre a obra que assisti, e ela me causou uma sensação bastante estranha. Não foi um filme que me irritou ou me fez sair da sala pensando que havia assistido algo terrível. Ao mesmo tempo, também não consegui sentir absolutamente nada durante a exibição. E isso foi o que mais me chamou atenção.
Não senti medo, não senti suspense, não senti aflição, não senti angústia, não senti tensão, nada. Não houve um único momento em que eu me senti verdadeiramente envolvido pelo que estava acontecendo na tela. Foi uma experiência muito curiosa porque entrei no cinema como uma página em branco e saí exatamente da mesma forma: uma página em branco.
Isso não significa que eu não tenha encontrado qualidades no filme. Pelo contrário. Considerando que se trata de uma produção que nitidamente trabalhou com um orçamento relativamente modesto para os padrões atuais, existe um mérito muito grande na construção visual daquele universo. Os cenários abstratos, estranhos e desconfortáveis possuem uma estética que julgo bastante interessante.
O problema é que, para mim, o filme não vai muito além disso.
Não vi grandes atuações, não consegui me conectar com a história, não consegui me conectar com os personagens e, principalmente, não consegui sentir qualquer clima de terror, suspense ou mistério que me mantivesse emocionalmente investido na narrativa. Do início ao fim, o filme simplesmente passou por mim sem deixar qualquer marca.
É claro que a experiência cinematográfica é extremamente subjetiva. Talvez justamente por eu não ter familiaridade com esse universo de “Backrooms” eu não tenha conseguido entrar na proposta do filme. Talvez quem goste desse tipo de conteúdo encontre aqui algo muito interessante. E mesmo quem não conhece pode acabar tendo uma experiência completamente diferente da minha.
Por isso, apesar de eu não ter gostado, ainda recomendo que as pessoas deem uma chance ao filme. Assistam e tirem suas próprias conclusões. Existe aqui um conceito diferente daquilo que normalmente vemos no terror contemporâneo, e talvez isso seja suficiente para conquistar muitos espectadores.


Agora, indo além do filme em si, preciso comentar também sobre a experiência que tive dentro da sala de cinema, porque ela foi simplesmente terrível!
Cada vez mais tenho a sensação de que está ficando difícil assistir a qualquer filme cuja sessão esteja minimamente cheia. Durante a exibição havia pessoas mexendo no celular constantemente. Uma pessoa sentada ao meu lado, além de ficar olhando o celular o tempo inteiro, levantava diversas vezes e não parava de conversar alto como se estivesse na sala da própria casa. Atrás de mim havia outra pessoa que comentava o filme inteiro com sua companhia.
Mas talvez o mais absurdo tenha sido ver alguém levando uma criança recém-nascida para assistir a um filme de terror. A criança chorava constantemente durante a sessão.
E o problema não para por aí. Antes do filme começar, tivemos mais de vinte minutos de trailers e publicidade. Mais de vinte minutos! Além disso, pessoas continuavam entrando na sala quando o filme já tinha começado havia cerca de 30 minutos e ao tentar encontrar os lugares, além de fazer barulho, ficavam na frente das pessoas. Qual o sentido disso? Em que isso contribui para a experiência de quem está tentando acompanhar a história?
Acho que as empresas de cinema no Brasil precisam começar a rever algumas dessas práticas e pensar em formas de preservar a experiência dentro das salas. Porque, cada vez mais, assistir a um filme no cinema está se tornando algo desgastante e, em alguns casos, até insuportável.
No fim das contas, Backrooms acabou sendo uma experiência ruim para mim por dois motivos: eu não gostei do filme e também não consegui ter uma boa experiência durante a sessão. Ainda assim, cinema é algo profundamente subjetivo. Minha opinião é apenas uma entre tantas outras. Assista ao filme, forme sua própria opinião e veja se ele consegue despertar em você algo que, infelizmente, não conseguiu despertar em mim.

Assista o trailer de “Backrooms – Um Não Lugar”:
