La Residencia (1969), também conhecido como “A Casa dos Desejos” ou “A Casa que Gritava”, dirigido por Chicho Ibáñez Serrador, é um suspense que trabalha muito bem sua ambientação e construção de atmosfera, flertando diretamente com um belo terror psicológico e também com o gênero slasher.
Sinopse: Uma diretora rigorosa dirige uma escola isolada para meninas rebeldes na França do século XIX, cujas alunas estão desaparecendo em circunstâncias misteriosas.
O filme passa praticamente todo dentro de um internato feminino, e isso já contribui para um clima constante de tensão. Há um forte elemento de terror psicológico como mencionado, sustentado não só pela narrativa, mas também pela forma como os personagens são construídos. Mesmo com muitas garotas em cena, o filme consegue dar identidade a elas, explorando seus comportamentos, erros e conflitos dentro daquele ambiente rígido, comandado com mãos de ferro por Sra Fourneau (interpretada por Lili Palmer).
A estética desta obra de Serrador chama bastante atenção. Existe um clima gótico bem presente, que poderia ser bem resumido nas cenas iluminadas pelos castiçais, mas também especialmente nas cenas externas com a neblina, que ajudam a estimular também a sensação de isolamento e mistério do internato. Além disso, há um flerte com o erotismo e o lesbianismo, que não só adiciona camadas à narrativa, mas também contribui para uma identidade visual e própria temática de “La Residencia”.
A primeira morte é um dos momentos mais marcantes do filme. É inesperado e muito bem realizado, funcionando como um ponto de virada que eleva o nível de tensão, mostrando que o filme não ficaria somente pautado na tensão narrativa, mas também em mortes bem realizadas que mexeria com o espectador. A partir daí, o suspense em torno de quem é o assassino se mantém de forma eficiente até o último minuto do filme (literalmente).

Créditos da imagem: American International Pictures

Créditos da imagem: American International Pictures
A trilha sonora também merece destaque, acompanhando bem a narrativa e ajudando a construir o clima de inquietação ao longo do filme.
Outro ponto interessante é a forma como o protagonismo se constrói. Uma personagem que inicialmente parecia secundária, a Irene (interpretada brilhantemente por Mary Maude), ganha força ao longo da história e se torna central, o que reforça o cuidado do roteiro na condução dos arcos.
Mas o grande destaque está no estágio final. A revelação não é apenas sobre quem está por trás dos crimes, mas principalmente sobre a motivação, que traz uma reviravolta forte e dá um novo peso a tudo o que foi apresentado. É uma conclusão final, que data muito bem a obra do diretor espanhol.
“La Residencia” (1969) é um filme que aposta mais na atmosfera e na construção de tensão do que no choque direto, e faz isso com bastante competência. Consideramos ele um suspense bem sólido, com uma estética bem própria e com um desfecho marcante, que faz com que eu recomende muito que você assista. Até porque, essa obra é bem influente dentro do gênero, pois foi modernizada por Dario Argento com “Suspiria” (1977) e também por ser um dos precursores do slasher.

